Mais uma vez uma cena pelas ruas da vida me faz parar para refletir: Um andarilho cheirando um buquê de flores velhas e secas. Se tivesse em minhas mãos uma câmera fotográfica, com certeza não conseguiria registrar aquele momento, assim como ficou guardado em minha memória. Uma imagem cênica, melancólica, com um tom decadente...
De alguma forma, parece que as flores murchas e quase sem cor combinavam com a energia daquele homem desamparado, que demonstrava, com muita veracidade, quase que inacreditavelmente, sentir o aroma daquele buquê provavelmente resgatado do lixo.
Aquelas mesmas flores que devem ter sido motivo de emoção e sinal de algum sentimento bom para quem as recebeu ou presenteou. Depois de secas e descartadas, agora estavam ali, agregando significado para a vida daquele homem descabelado e com a barba por fazer, radiante com o que achou em algum canto qualquer.
Nunca saberei o que ele imaginava no momento em que o percebi naquela cena. Seria a lembrança de um grande amor, a carência de um presentear ou simplesmente o devaneio de uma mente desapegada de padrões sociais?
Têm coisas que são mesmo incompreensíveis aos normais. E normal mesmo é não conseguir definir o que realmente é anormal.
Num dia em que desejei experiências inesquecíveis, recebi esta lição do cotidiano. Uma cena eternizada em minha mente: O andarilho e as flores secas... Afinal, qual é o conceito do que é ser vivo?

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