
A cada dia tenho mais certeza da universalidade do sentimento humano. Não importa o caminho que se escolha na vida, o que resta, no final de tudo, é tão e somente o essencial.
Na hora da despedida, todas as famílias sentem as mesmas dificuldades para o desapego, todos os filhos lembram dos gestos do pai amoroso, todas as esposas sentem o coração despedaçar com a perda do companheiro da vida toda, todas as tias não conseguem entender como vão viver sem o cheiro das sobrinhas, todas as mães... sinceramente não consigo ter a proporção do sentimento de uma mãe que perde um filho!
Aquela última música, tão triste, sempre transborda lágrimas dos olhos daqueles que se colocam no lugar do outro, a saudade antecipada sempre brota nos corações de quem ama e precisa dar o adeus físico.
Como um filme, tantos momentos são lembrados, mesmo aqueles que, quando vividos, têm sua importância tão minimizada. A vontade sempre é da fazer com que o tempo volte, nem que seja por alguns dias, algumas horas, milésimos de segundos... Mas ele não volta! E este aprendizado é tão dolorido quanto potecializador de crescimento espiritual.
Nesses momentos é que a gente percebe o que realmente vale a pena na vida. Percebe o que realmente transpõe tantas superficialidades, que em alguns momentos acreditamos que sejam as soberanas verdades a serem seguidas.
De tudo, o que resta é a conclusão de que não importa se você vive um ou 80 anos, o que vale é a sua intensidade e o que se consegue agregar para a vida de quem está logo ali ao lado.
Quem vai cria asas, para voar em outras dimensões... Para quem fica, ainda resta a aprendizagem de que é necessário ser verdadeiro consigo mesmo sempre, praticar o bem a quem quer que seja, olhar nos olhos ouvindo com atenção quem quer que fale, utilizar a gentileza como hábito diário com quem quer que se encontre.
Um sentimento, novamente, universal nasce naturalmente na alma de quem precisa juntar todas as forças para dizer: "Até logo, em breve nos encontraremos!"
A partir daí o compromisso com o bem torna-se ainda mais forte. Afinal, quem não quer reeencontrar seus amados?
Cada vez concordo mais com Eckart Tolle e o Poder do Agora: "O segredo da vida é 'morrer [para o ego] antes que você morra' - e descobrir que não existe morte".
Se é no brilho das estrelas que encontramos a lembrança daqueles olhares que transformaram toda a nossa existência, para muito melhor, quero saber voar...