domingo, 27 de novembro de 2011

Este ano realmente foi de fortes emoções.

É... O ano está acabando, mais uma vez. Com mais este ciclo prestes a encerrar, comecei a tomar atenção para algumas coisas. Percebi que tenho um mês pra terminar alguns livros iniciados, arrumar algumas gavetas, tirar do guarda-roupa o que vai servir pra outra pessoa mais do que a mim. Coisas pequenas e externas que remetem a uma organização interna. Final de ano é mesmo tempo de olhar para dentro, reavaliar o que de fato a gente acredita e a forma como estamos vivendo.
Durante o ano cumpri alguns objetivos que havia estabelecido e esqueci de outros. Coisas que eram muito importantes tornaram-se mais leves e outras que eu nem imaginava que existiam têm um valor imenso em meus dias.
Percebo que este ano realmente foi de fortíssimas emoções. Chorei muito, precisei aprender com a perda física irreparável, descobri o encontro energético de almas... Reconheci que sou rodeada por muitos amigos verdadeiros, ri de doer a barriga, dancei até amanhecer o dia, vi o pôr do sol sempre que pude, vivi sensações de tirar o fôlego e de cultivar borboletas no estômago.
Comprovei que disciplina e determinação podem superar qualquer desafio e que a abertura de horizontes depende de foco, mesmo que a imagem visualizada seja impressionista.
De tudo, para o próximo ciclo, descarto o que é superficial, carrego o que foi lindo e inesquecível, renovo as esperanças em dias cada vez mais belos e me disponho a viver cada momento único.
Se a vida toda é a experiência através de ciclos, quero que os meus sejam sempre iniciados e percorridos pelo caminho do bem, para chegar no destino da residência absoluta do amor...

Luz e cores no caminho, hoje e sempre, em todos os ciclos, de todas as estações, de todos os anos da vida!

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

O malabarista dourado.

Final de tarde. Sinal vermelho. Uma fila de carros com motoristas cansados depois de uma semana de trabalho. Visualizo um senhor fazendo malabares em troca de algumas moedas. Um figurino dourado que parecia ter muitos dias de uso. Barba por fazer. Banho por tomar.  Os movimentos não tão precisos não tiravam sua disposição da apresentação.  Em pouco tempo, seu chapéu surrado consegue alguns trocados, outros vidros nem sequer se abrem. Chego mais perto. Consigo visualizar o brilho dos olhos muito mais vivo do que o do seu figurino. É o que mais importa! Identifico a vida que pulsa naquele ser. Tento imaginar o que este homem carrega na vida, junto com aquela pequena mochila, uma caneca e um travesseiro jogados na calçada ao lado. Teria uma família? Estava com fome? Já teve um grande amor? Chorou na noite passada? Os movimentos continuam. Chega a minha hora de aplauso àquele artista das ruas. Um desprendimento material é tão pouco. Ofereço minha fé e meu desejo: Uma feliz vida! Aonde quer que vá, que o seu dourado brilhe como o sol.  Amém!

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Abrir os ouvidos dos olhos.

Foi um dia de muito trabalho. Estressante. Tanto que caminhava rápido, já atrasada para um ensaio no final do dia. A gargalhada de uma criança que passava por mim no colo da mãe parece que me acordou de um sono profundo. A garotinha estava tão feliz! Foi quando percebi na grama da praça, um pouco crescida depois de alguns dias de chuva, muitos dentes-de-leão, que com a luz do momento, ficaram muito brancos. Pareciam uma multidão de flagelos iluminados em plena harmonia, milhares deles, num campo verde-limão. Continuava a caminhar, agora mais lentamente, consciente dos meus batimentos cardíacos e da respiração que se acalmava. Foi quando levantei os olhos e percebi que o sol já estava quase se pondo, em mais um dos seus espetáculos diários naturais. Eu ali, e quase não deu tempo de perceber que fazia parte da plateia para esse show. Ainda estava com os olhos cheios de luz quando senti um perfume muito forte, delicioso... Foram os jasmins que a primavera floresceu. Tudo estava ali, bem à minha frente. O cenário perfeito me escolheu. E eu, quase... por muito pouco... quase escolhi estar cega à essência, por motivos completamente descartáveis. Hoje uma gargalhada me salvou!

domingo, 20 de novembro de 2011

Fratellanza

Esta noite sonhei com você. Estávamos em perigo na rua. Eu era meu estado hoje. Você, ainda tinha aquele cabelo channel com franja e estava com aquele vestido vermelho florido que eu amava, de quando você tinha 6 anos. Uma linda e pequena com seu sorriso com janela. De repente nos perdemos. Angústia intensa. Quando vi você correndo na rua em minha direção, foi como se o sol reaparecesse na tempestade. Para me mostrar que juntas podemos superar qualquer medo. E isso transcende qualquer forma, qualquer tempo... Me ama pra sempre?

Para Mirian.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Estou viva.

É verdade, hoje estou tão pisciana, muito melancólica e com tudo à flor da pele.
É bom me sentir viva!

Sou tão apaixonada!





Existem dias que já começam com gosto de chocolate, som alto, quarto bagunçado e vontade de dançar. Dias que a vontade de estar perto é tão grande que, ao fechar os olhos, a gente chega a sentir o cheiro, o toque da pele e o calor de uma luz sem explicação. Aprendo todos os dias a me reinventar na saudade... Nesse pensamento apaixonado que me acompanha em todos os momentos...

Meu herói com capa de vovô.

Era uma garotinha com alguns anos e ainda sabia pouco sobre a vida, mas já conhecia a figura paternal de um avô carinhoso e dedicado.
Naquele tempo, o tamanho dos seus pés era gigante se comparados aos meus e me davam segurança na caminhada pelas manhãs. Eu colocava os seus sapatos e sonhava com o dia em que seria tão grande como ele.
Tudo o que eu queria ser na vida era possuidora de mãos fortes e a habilidade para semear pequenos grãos de feijão na terra, que germinados cresciam como folhas verdinhas. Com ele aprendi a reconhecer o milagre do nascimento da vida, do respeito e valorização da natureza.
Aprendi a contar bolinhas em oração em dias de perigos de tempestade, para harmonizar discussões em casa e para que quando alguém estivesse doente melhorasse mais rápido. Com ele aprendi a ter fé!
Com sua simplicidade me ensinou coisas que não aprenderia em nenhuma faculdade ou especialização acadêmica.
Cuidou de mim, com muito amor, depois aceitou ser cuidado, mesmo que por pouco tempo...
Sempre que vejo um velhinho com a careca muito brilhante, misturada com finos fios de cabelos bem branquinhos, tenho segundos de loucura e vontade de sair correndo para o abraço. Saudades...
Hoje seria dia de festa, bolo e parabéns! Será sempre de “muito obrigada”!
A ele que é parte das raízes, que me faz crescer, conhecer o mundo, lugares que talvez não tenha conhecido.
Ainda vejo suas pegadas no chão e sigo sem medo.
Sei que continua caminhando, porque venho logo atrás...
Tenho certeza que sempre terei seus bondosos braços aonde poderei descansar.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Brilhante cristal...

O contato com a história da Cinderela está realmente mexendo muito comigo! O poder da transformação... Das cinzas ao cristal... O reconhecimento da verdadeira essência... Do que há de melhor...O perder-se para se encontrar...
Num momento de falta de senso de pertencimento, olho para dentro de mim mesma e percebo meus defeitos e qualidades.  Começo a visualizar o brilho de grandes tesouros que realmente existem no mais íntimo de meu ser e que são o antônimo da superficialidade. Eternos... Imutáveis...
Mesmo em meio ao egoísmo, egocentrismo, insanidade, materialismo, pessimismo e tantas outras síndromes que envolvem qualquer humanóide que pisa sobre este planeta, essa egrégora da qual desejo estar a cada dia mais distante, lá estão meus verdadeiros tesouros, residindo absolutamente no mais íntimo e profundo da minha alma: Harmonia, completude, paz, Mariana, amor verdadeiro... Pertenço a mim mesma e quero ser um brilhante cristal cada vez mais lapidado.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Qual a próxima estação?


Já vivemos o frio do descanso das sementes e com ele o recolhimento para a reavaliação do que acreditamos e de como estamos vivendo. Estamos em pleno desabrochar das flores de nossas próprias esperanças, de um mundo mais colorido e cheio de bons aromas.

Sinceramente, já percebo a sensação do verão se aproximando e aquecendo o despertar em todas as manhãs com sol tocando forte a pele. Aquela coisa boa de olhar fixo no céu azul, de banho de chuva, viver noites ao luar cravado do brilho de estrelas, de sentir cheiro de mato, ouvir a voz do mar e da cachoeira e, principalmente, daquele desejo que quase não cabe no peito, de uma vontade de sair às ruas para descobrir o mundo que nos espera com tantas coisas surpreendentes.

Logo depois vem o outono e com ele uma nova fase de renovação de folhas, ares, pele e pensamentos. O desapego! Tudo para mostrar que a natureza é sábia em relação aos ciclos da vida que nos renovam, transformam e fortalecem.

Não há tristeza que não seja aquecida pelo verão, não há vento e tempo seco que não seja interrompido pelo fascinante balanço das flores. Tudo ao seu tempo, ao abaixar da poeira, com o respeito do compasso dos segundos, dos terceiros e milésimos ensinamentos que ainda precisamos assimilar.

Alguma coisa especial sempre acontece em todas as estações! O importante é estar com os ouvidos da alma abertos para o canto dos pássaros à nossa janela pelas manhãs, abrir os olhos da percepção para a delicadeza das gotas de orvalho sobre as plantas no momento em que caminhamos para o trabalho, sempre potencializando a sensibilidade para o toque de um abraço sincero seja lá de quem for.

Que o que fique em todos os corpos e dimensões possíveis seja a vontade de viver, de se fazer o bem em qualquer temperatura de todas as primaveras da vida.

Qual a próxima estação? Desejo desembarcar todos os dias na da paz e do amor!


terça-feira, 8 de novembro de 2011

Reticências...

Nos últimos dias reconheci um conflito, uma briga de sentimentos dentro de mim. Se pudesse desenhar, seriam aqueles bonequinhos, um bom e um mau, desdobramentos do meu próprio Eu, cada um querendo me convencer sobre um olhar diferente sobre a mesma situação.
Um deles me mostra que fui transformada para muito melhor através de uma vida que já nasceu para romper preconceitos. Depois veio a perda, quero crer que a maior de todas que ainda terei na vida. Mas para meu próprio crescimento, ele me fala que existimos em muitas dimensões e que somos muito mais espirituais e energéticos do que físicos. Sei que ele é muito mais evoluído!
O outro tenta me irritar com uma ladainha repetitiva de um desejo incontrolável de negar a situação e querer de volta o que sei que minhas mãos não podem mais tocar, pelo menos conscientemente. Por mais que seja um boneco imaturo, não posso mais negar que está conversando comigo em muitos momentos.
Quando percebo esta contradição já começo a aceitar os sentimentos, todos eles, e então a superar o conflito.
Sinto, penso e escrevo... Quase sempre consigo concluir ciclos, reflexões e pensamentos soltos quando coloco um ponto final depois de palavras que exteriorizam sensações.
Neste caso, contento-me em perceber que sou humana e que carrego desejos. Neste texto, depois da palavra saudade sempre vai haver reticências...
Foto: Joemariana - Marianaejo.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Arte Viva!

"Temos a arte para não morrer da verdade". Nietzsche
Então que eu esteja sempre verdadeiramente viva!


O sol sempre volta...


 
 
Vivemos dias de sol! A todo momento temos a oportunidade de nos renovar e perceber coisas maravilhosas à nossa volta. A felicidade está na forma como imaginamos as formas nas nuvens e na intensidade que vivemos os momentos com os pés na terra, percebendo todas as formas de amar...
 

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Meu recanto particular.

Já acordei com a sensação que seria um dia que precisaria fazer um exercício que estava protelando nos últimos meses. Achei que era importante estar só, por mais que estivesse com medo.

A vida é assim mesmo e a nossa maior missão é conseguir assimilar e viver sentimentos, com os quais realmente não sabemos o que fazer. Comprei pequenas flores do campo, separei velas coloridas e incensos.

Caminhava devagar, mas sentia os batimentos do coração mais intensos. Tive vontade de voltar atrás, foi então que o universo colocou no meu caminho uma grande amiga que me deu forças generosas para que eu pudesse viver esse momento de desprendimento.

Olhei para aquele nome que transformou minha vida escrito numa placa cor de rosa. Percebi claramente que, embora respeite aqueles restos materiais guardados, eles só me fazem ter ainda mais convicção sobre a fragilidade da vida física e sobre a amplitude da espiritual, daquela que eu tinha certeza que não estava mais ali.

Os incensos se misturavam com a  energia de toda aquela multidão caminhando em oração. E as flores? Por mais que fossem bonitas e fruto de uma entrega muito sincera, não eram compatíveis com a imensidão energética daquela que é realmente a minha flor mais linda e imortal.

Consciente de tudo, resolvi então visitar um lugar que me trazia lembranças fortes de vida, do que foi inesquecível. No parque, um espaço público, tínhamos o nosso recanto particular. Deitei na grama embaixo da nossa árvore preferida e logo ouvi o canto do pássaro que ela havia me ensinado a perceber. Tirei os meus sapatos e lembrei que ela não gostava de colocar seus sensíveis pezinhos na grama. Acho mesmo que ela já sabia que sempre foi do céu pra ter os pés tão firmes assim na terra.

Foi nesse momento que voltei a ver o sol, o seu brilho refletido na água, as folhas das árvores iluminadas quase num verde limão balançando ao vento, uma criança rindo na balança, outra correndo com o cachorro, um velhinho vendendo sorvetes e um beijo apaixonado de um casal de namorados. Tudo mostrando que a vida se renova a todo momento.

Abracei, mais uma vez, a nossa outra árvore preferida e lembrei do seu olhar. Agora entendi tudo o que queria dizer naquele momento em que ainda estava pesando no meu colo.

Minha lição é estar disponível a viver cada vez mais momentos inesquecíveis, com quem amo, com quem quer que seja, porque meu maior tesouro é meu depósito de lindas histórias de amor verdadeiro.

Saí caminhando, sem medo, sabendo que posso encontrá-la a todo momento, sempre que olhar para dentro de mim.

Lu(z)ciana da minha vida.

Hoje o dia pede um post especial para a minha grande e amada amiga de infância, adolescência, vida adulta: A Lu. Ela é uma das pessoas que eu conheço há quase duas décadas, esteve ao meu lado em muitos momentos importantes, de risos e choros incontroláveis. Passam os anos e  cada vez mais a gente percebe que estabeleceu uma linda ligação eterna.
 Hoje, é verdade...estava com medo! Foi então que ela surgiu assim no meu caminho, sem hora, nem local marcado, mas no exato momento em que eu precisava da sua força, do caminhar lado a lado de braços dados, do abraço apertado e do compartilhar de lágrimas...
Nesses momentos a gente só se pergunta porque demora tanto pra, sem precisar contar com a força do universo, marcar encontros, pois o tempo do acaso sempre parece ser pouco pra compartilharmos o que queremos. A pergunta é sempre a mesma e o compromisso de marcarmos jantares, brigadeiros, cafés e fofocas num menor período de tempo também!
Um carinho incomparável, um amor de verdade... Presentes de valor incalculável nessa vida a gente precisa ter gratidão universal! Obrigada, amiga...

Sentimentos gritam!

Aprendi com o tempo a ser verdadeira com meus próprios sentimentos, aceitar e amar a cada um deles. Não há condições de negar o que se sente. Não há pior pessoa a se enganar do que a gente mesmo.  Não tem porque, na maioria das vezes, nem perdão. A culpa por não ter coragem de demonstrar o que realmente se quer falar ou fazer é um fardo muito pesado para um caminho tão curto. Estar de bem com as emoções e sensações naturais depertadas bem lá no fundo do ser é a única opção para a completude. É coisa de alma leve! Ser sincero com os próprios desejos essenciais, estando perto ou longe de quem quer que seja, sem querer saber qualquer coisa que outro alguém vai pensar, com certeza é a maior verdade que podemos praticar na vida. A verdadeira lealdade. Não há o que se provar! É so viver... Deixar a energia fluir...

Quando era criança, devo ter mentalizado a felicidade muitas vezes, respondendo perguntas básicas feitas na infância. Porque quando se cresce, não há nada mais o que se queira ser, do que simplesMente FELIZ! =)

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Se humanos fossem plantas, seríamos flores?

"Contemplar a beleza de uma flor poderia despertar os seres humanos,
ainda que por um breve momento, para a beleza que constitui uma parte
essencial do seu próprio ser mais profundo, sua verdadeira natureza. O início
do reconhecimento da beleza foi um dos acontecimentos mais significativos
na evolução da consciência da nossa espécie. Os sentimentos de alegria e
amor estão ligados de modo intrínseco a isso. Sem que percebêssemos
inteiramente, as flores tornaram-se uma expressão em termos de forma
daquilo que é mais elevado, mais sagrado e, em última análise, informe, dentro
de nós. Mais efêmeras, mais etéreas e mais delicadas do que as plantas das
quais se originam, elas são como mensageiras de outra esfera, uma espécie de
ponte entre o mundo das formas materiais e o informe. Elas não só exalam
um perfume suave e agradável aos seres humanos como emanam a fragrância
da esfera espiritual. Se usássemos a palavra 'iluminação' num sentido mais
amplo do que o convencionalmente aceito, poderíamos considerá-las a
iluminação das plantas". ECKART TOLLE

Foto: Flores de pessegueiro, por Eduardo Silvestri - Um sensível observador das belas singelezas da natureza, quase sempre por muitos não percebidas.