Era uma garotinha com alguns anos e ainda sabia pouco sobre a vida, mas já conhecia a figura paternal de um avô carinhoso e dedicado.
Naquele tempo, o tamanho dos seus pés era gigante se comparados aos meus e me davam segurança na caminhada pelas manhãs. Eu colocava os seus sapatos e sonhava com o dia em que seria tão grande como ele.
Tudo o que eu queria ser na vida era possuidora de mãos fortes e a habilidade para semear pequenos grãos de feijão na terra, que germinados cresciam como folhas verdinhas. Com ele aprendi a reconhecer o milagre do nascimento da vida, do respeito e valorização da natureza.
Aprendi a contar bolinhas em oração em dias de perigos de tempestade, para harmonizar discussões em casa e para que quando alguém estivesse doente melhorasse mais rápido. Com ele aprendi a ter fé!
Com sua simplicidade me ensinou coisas que não aprenderia em nenhuma faculdade ou especialização acadêmica.
Cuidou de mim, com muito amor, depois aceitou ser cuidado, mesmo que por pouco tempo...
Sempre que vejo um velhinho com a careca muito brilhante, misturada com finos fios de cabelos bem branquinhos, tenho segundos de loucura e vontade de sair correndo para o abraço. Saudades...
Hoje seria dia de festa, bolo e parabéns! Será sempre de “muito obrigada”!
A ele que é parte das raízes, que me faz crescer, conhecer o mundo, lugares que talvez não tenha conhecido.
Ainda vejo suas pegadas no chão e sigo sem medo.
Sei que continua caminhando, porque venho logo atrás...
Tenho certeza que sempre terei seus bondosos braços aonde poderei descansar.
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