quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Abrir os ouvidos dos olhos.

Foi um dia de muito trabalho. Estressante. Tanto que caminhava rápido, já atrasada para um ensaio no final do dia. A gargalhada de uma criança que passava por mim no colo da mãe parece que me acordou de um sono profundo. A garotinha estava tão feliz! Foi quando percebi na grama da praça, um pouco crescida depois de alguns dias de chuva, muitos dentes-de-leão, que com a luz do momento, ficaram muito brancos. Pareciam uma multidão de flagelos iluminados em plena harmonia, milhares deles, num campo verde-limão. Continuava a caminhar, agora mais lentamente, consciente dos meus batimentos cardíacos e da respiração que se acalmava. Foi quando levantei os olhos e percebi que o sol já estava quase se pondo, em mais um dos seus espetáculos diários naturais. Eu ali, e quase não deu tempo de perceber que fazia parte da plateia para esse show. Ainda estava com os olhos cheios de luz quando senti um perfume muito forte, delicioso... Foram os jasmins que a primavera floresceu. Tudo estava ali, bem à minha frente. O cenário perfeito me escolheu. E eu, quase... por muito pouco... quase escolhi estar cega à essência, por motivos completamente descartáveis. Hoje uma gargalhada me salvou!

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