terça-feira, 11 de outubro de 2011
A fuga.
Hoje, resolvendo mil coisas de trabalho que uma sexta-feira bem turbulenta exige, dei de cara com uma cena que me fez parar com os pensamentos atropelados da mente e refletir sobre a vida... Sobre o agora.
Atravessava a rua um menino com seus mais ou menos seis anos de idade, com uma bola embaixo do braço, calçado com um tênis branco gigante. Um tamanho totalmente desproporcional com o do pequeno garoto, um calçado que provavelmente deveria ser do pai, irmão mais velho, ou coisa assim.
A cena me fez parar, rir sozinha. Lembrar do tempo em que eu colocava os sapatos de salto de minha mãe e sonhava com os dias em que seria tão bonita como ela e possuidora de uma bolsa cheia de documentos, maquiagem e cacarecos.
Pensei então que naquela época não sabia o quanto acharia desconfortável usar salto alto e que com ele precisaria carregar todas as atribuições de uma vida adulta, por vezes estressante.
Pensei também que não sabia, naquela época, que hoje, muitas vezes tendo que usar os sapatos de salto, aqueles tão sonhados na infância, iria preferir estar correndo descalça e rolando pela grama sem nenhum objetivo específico.
Foi então que tomei consciência do estado em que me encontrava exatamente no momento em que olhava aquele menino com o tênis gigante e toda a projeção que ele fazia para sua própria vida com aquele gesto.
Será que quando eu estiver velhinha usando bengalas, podendo assistir todos os dias sessão da tarde e lendo todos os livros que tiver vontade, vou ter saudades do meu tempo de correria desta sexta-feira turbulenta?
Somos mesmo humanóides tentando fugir o tempo todo de nosso verdadeiro papel.
Que o universo nos dê sabedoria para viver o Agora plenamente, com todas as suas dores e delícias!
Em 26 de agosto de 2011.
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